Práticas Culturais e Relações de Poder

por Portal PPGHI
Publicado: 26/07/2017 - 15:05
Última modificação: 05/07/2021 - 12:17

Coordenador: Cléber Vinícius do Amaral Felipe

Esta linha abriga pesquisadores e pesquisadoras com interesse nas múltiplas dimensões das relações de poder, concebidas em intercâmbio com as práticas culturais. A Cultura, no caso, deve ser compreendida como domínio de constante tensionamento entre tradição e ruptura, produzido pelos embates e dinâmicas sociais. Nesse sentido, pretende-se abarcar estudos voltados para  diversas formas de elaboração simbólica (ritos, valores, comportamentos),  experiências e compartilhamentos culturais construídos historicamente em situações conflitivas. Importa, ainda, analisar os processos de trocas culturais entre sujeitos e grupos sociais provenientes de diversas escalas espaciais, contextos e temporalidades. Entende-se que, do trânsito de indivíduos e de ideias, estabelecem-se histórias conectadas, marcadas por apropriações e ressignificações culturais que são fundamentais para a produção artística e para a articulação de lutas sociais.

A linha interessa-se pelo estudo de costumes, valores e práticas culturais que definem e são definidos pelas relações sociais no trabalho, na vida cotidiana, nas instituições, nos espaços de lazer, em rituais, festas e celebrações, nos usos da lei e nas artes. As pesquisas aqui abrigadas também buscam perceber, por meio de documentação cartorial, processos judiciais e fontes orais, como os padrões culturais, as relações de poder e as mais variadas instituições sociais são criadas e transformadas sob o movimento de dinâmicas dos grupos sociais, bem como das estratégias dos sujeitos, em escalas variadas, analisando as experiências coletivas e individuais por meio das quais os agentes se constituem como sujeitos e se relacionam no interior dos grupos aos quais pertencem.

O estudo das artes contemplará não apenas o produto cultural, mas também seus suportes, lugares e os sujeitos a elas relacionados, como seus produtores, públicos/leitores, espectadores, críticos, considerados a partir de seu lugar social (gênero, classe, raça). Abarcará o cinema, a fotografia, o grafitti, o teatro, a música, a literatura, a retórica e outras dimensões artísticas, tratadas aqui como expressões políticas e sociais datadas, ou seja, com demandas e expedientes particulares, históricos. A linha contará, também, com estudos que abordam a imprensa, pensada como espaço de intervenção social e constituída de tensões e disputas políticas, econômicas e culturais cotidianas. São considerados relevantes diferentes aspectos da produção, distribuição/circulação e recepção de ideias, imagens e outras narrativas. Tais aspectos são concebidos de modo articulado, para que se possa compreender a maneira como ocorrem os processos de construção de sentido e seus tensionamentos e reconfigurações no âmbito das disputas políticas e simbólicas entre indivíduos, grupos sociais ou sociedades.

 

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